Segunda-feira, Setembro 21, 2009
[Especial] Andando para pegar o Diploma
Numa 5a feira do mês passado, dia 17 de setembro, foi a minha cerimônia de colação de grau como Designer de Moda. Confesso que no início nem dei muita pala pra essa formalidade, ainda mais com a determinação de traje Esporte Fino, que pouco aprecio e me faria aparecer vestindo uma armadura chamada terno, cujo meu não vestia há pelo menos 5 anos...
Uma primeira coisa que tinha me chamado a atenção é que, todo e qualquer formando faz seu devido juramento,mas... e qual o Juramento do Estilista, ou do Designer de Moda, num plano geral? Procurei no oráculo Google e simplesmente não achei NA-DA. E já que hoje em dia, se não tem no Google, simplesmente não existe, dei um jeito de , sem pretensões algumas, criar o meu próprio juramento, inspirado em alguns que eu vi, mas com um contexto bem mais a ver com a atmosfera de Moda. Confiram abaixo:
Juramento do Estilista
Como novo profissional de Moda, prometo:
Dignificar o legado de todos os profissionais que se envolveram na criação e confecção de roupas até hoje e assim deram o sustento de suas famílias.
Buscar sempre inovar e explorar novas formas e usos, promovendo assim à sociedade o fascínio pela novidade através de nossas criações.
E assim manter viva a Roda da Moda, a evoluindo no mesmo ritmo, ou mais frente, que nossa sociedade , mas fazendo uso das referências bem sucedidas no passado.
Confesso que tentei ler esse juramento na cerimônia, mas já que o protocolo não me permitiu, me reservo o direito de publicá-lo aqui para quem quiser ler ou mesmo copiar e utilizar, sem a pretensao dele se tornar " O Juramento do Estilista", mas sim de oferecer uma alternativa ao outro juramento , já que, o atualmente utilizado soa como algo meio genérico,"pré-fabricado", onde eu sentia claramente que, onde se lia "Designer de Moda" antes estava um "___________(coloque o nome da profissão aqui)" ! ... Só por essa impessoalidade e frieza protocolar acho que já merece ser substituído.
Além de toda essa história quanto ao traje e o juramento, outra coisa que meti na minha cabeça também foi que, mesmo com dificuldade, eu ia pegar meu diploma lá na frente ANDANDO! Não sabia nem como, mas ia dar meu jeito. Na fisioterapia da ABBR fiquei treinando bastante, subindo e descendo escadas e rampas, com e sem muletas ou apoios, até que , mesmo com a protese folgada, dei meu jeito pra ir assim mesmo.
Uma coisa que eu não estava contando era que , esse mesmo terno para o qual eu já torcia o nariz ia influenciar bastante o meu andar. A começar pelos sapatos, que não são assim tão confortaveis quanto um tênis... A calça que, para pernas normais até que são confortavelmente folgadas, para encaixes de prótese provisórios o tecido na coxa fica esticado e quase implorando pra romper logo. E a camisa e o blazer formaram então uma dupla que deu super certo pra me limitar os movimentos, já que com eles eu não conseguia sequer levantar os braços e, já que estava contando com o apoio de uma muleta (pq eu sou maluco de andar com uma prótese folgada, mas não sou burro de andar sem apoio pra ficar me estabacando por aí...), e me senti o próprio Robocop indo pro casamento...
O momento da saída de casa foi único. Nos quase 3 anos que eu moro nesse prédio, eu nunca tinha saído de casa e visto o chão daquela altura. A sensação real é como se eu estivesse usando aquelas lentes multifocais (que idosos usam hoje em dia) que parece mudar a altura das coisas de acordo com o ângulo que você olha pras lentes. Realmente é de deixar tonto principiantes como eu. Assim indo, passo pelo hall de entrada, que tem uns lances de descida de escadas (que é bem mais dificil que subida), o que fez que eu, muito sem jeito(ainda mais com o terno), lançasse mão do corrimão. O engraçado nessa parte foi que, justo no momento que estou vencendo os últimos degraus pra finalmente pisar na rua em si, o celular toca, e me encontro numa situação tão complicada , com muleta de um lado, corrimão no outro e calça apertando o celular no bolso, que eu tive que sumariamente ignorar o "triiiin-triiin" estridente. Era só eu atender o celular pra dar "alô" diretamente do chão.
Andar na rua foi a experiencia mais "vida real" que eu tive ao andar com prótese. Já era de se esperar que as calçadas não seriam retinhas e niveladas como o chão da nossa sala, mas prum cadeirante a experiência chega a dar aflição, porque parece que com um sopro de vento mais forte você se desequilibra e desaba no chão. Apesar de ter me desestabilizado várias vezes, consegui não cair até o taxi chegar, e nunca tinha torcido tanto pra este chegar, pois minha chance de queda estava diretamente proporcional ao tempo que ele fosse levar pra chegar...
Até aí, tudo beleza: taxi paradinho na minha frente, porta aberta pra mim, mas... COMO ENTRAR NUM CARRO??? Essa aula eles ainda não tinham me dado! Francamente, foi a coisa mais sem jeito que eu fiz no dia, nunca esperei que fosse tão complicado pra quem tem uma perna robô como eu... apesar disso, consegui entrar, e no mesmo "jeito sem-jeito", sair.
Andar com prótese implica numas regras que só mesmo quem usa entende, e mesmo assim não sabe na teoria qual a lógica disso. Uma das coisas que eu aprendi é que subir escada é mais facil que rampa, e descer rampa é mais fácil que escada. São razões anatômicas que na prática eu posso explicar, e por essas razões, depois de 2 anos e meio só entrando no campus pela rampa, dessa vez optei por seguir o caminho pela escada. Foi algo meio único pra mim passar por aquele lugar que estava lá sempre, só que eu não explorava. Na verdade nem aproveitei tanto o momento, porque o foco mesmo era me agarrar no corrimão e ir subindo, coisa que, com o terno também não foi nada confortável...
Foi um lancezinho de escadas, mas o sufuciente pra me fazer suar como se tivesse corrido alguns quarteirões antes de chegar lá. Apesar da vergonha que senti, tive que ligar o botão do "Foda-se" e seguir em frente, já que o formando lá da cerimônia era eu,né?
=)
Após encontrar com um querido colega de turma e saudar inclusive as ascensoristas que tanto me ajudaram nesse tempo todo, chego na escadaria do 5o andar que leva até o auditório da cerimônia. O que aconteceu foi quase o mesmo que na primeira escada, mas com um "extra", já que o projeto do prédio pareceu tão bem executado que, depois de subir um grande lance de escadas, ainda tem um outro lance pra descer. E pra descer, o estilo é desengonçado mesmo. Ai, eu mereço...
Eu acho que a parte boa de tudo isso foi a reação das pessoas. Ninguém naquela universidade tinha me visto em pé, e muito menos andando... sem contar também que nunca tinham me visto de terno, mas essa parte eu confesso que também dispensaria...
Um cena que ilustrou bem essa reação foi a de uma colega de turma que de longe me viu e veio correndo pra me dar um abraço. Foi uma das mais legais e verdadeiras ações que eu vi naquele dia,e só por ver a felicidade nos olhos dela em me ver assim posso dizer que já valeu a aventura de sair de casa andando.
Ao seguir para o auditório, vejo que ao longe já tinha gente me olhando, não entendendo como aquele cadeirante tava chegando, andando que nem um pingüim... e o grupo de curiosos olhando foi aumentando à medida que me aproximava da porta. Nossa, pode até ter sido uma sensação legal, mas também me espantou,hehehe...
A reação das pessoas foi de espanto e felicidade. Acho que por mais que quisessem, não esperariam me ver naquele momento lá andando, e surpreender a todos eles foi mais um dos meus planos que deu certo.
;-)
Por causa da suposta falta de um juramento do estilista (digo, um juramento REAL, feito pensado nas características do ofício), procurei logo alguém da nova coordenadora do curso, pedindo pra ler em público o texto preparado. Prontamente disseram que não ia dar, que já havia um... e por isso tive que, bem a contragosto, deixar meu projeto na gaveta.
Momentos depois, se inicia a cerimônia, com a execução do Hino Nacional que, depois da Vanusa, nunca mais foi o mesmo pra mim. E me segurar das lembranças da singluar apresentação da intérprete foi o grande desafio.
Logo após, a propria coordenadora me surpreendeu, ao me chama para ler um texto em nome dos alunos. Confesso que nao entendi nada , principalmente pq. Foi ela mesmo guem tinha me vetado de falar lá na frente . De qualquer forma acabei indo lá e lendo o texto que tinha preparado para tal solenidade, que voces podem conferir abaixo:
Promessas de um formando em Design de Moda
-Prometo honrar o nome dos grande estilistas que fizeram a Moda ser o que é hoje, além de nossos professores e também as humildes costureiras que sustentam a família com essa atividade
-Não permitirei de nenhuma forma a exploração do trabalho em quaisquer de suas formas
-Como empregador darei sempre chances às pessoas que, assim como nós, fazem ou fizeram faculdade de Moda ou minimamente se dedicaram a algum curso do meio.
-Não vou desviar para a indústria de falsificação ou criar uma marca com nome ou logotipo parecido com o de outras existentes
-Poderei permitir o trabalho de modelos magras, mas com declarada restrição às anoréxicas.
-Prometo aceitar criticas negativas e com elas aprender a se tornar um profissional cada vez melhor
-Vou compreender exatamente quando chamarem uma cor de Tijolo, Areia ou Cerúleo, porém não serei pedante a ponto de usar esses termos com qualquer pessoa ou situação.
-Quando pedirem minha opinião sobre alguma roupa, prometo dar minha opinião sincera, ou minimamente eufemística, omitindo o que achar conveniente, e somente sugerindo prontamente uma solução para o caso se me sentir apto para tanto.
-Prometo não ter pensamentos leigos diante de uma peça conceito, me questionando se alguém usaria aquilo na rua, até porque já aprendemos todos os porquês disso tudo ao longo do curso. (E se você não aprendeu, por favor se matricule de novo agora!)

Apesar disso, não consegui ler o Juramento , que acabou inédito , portanto só aqui mesmo que vocês podem conferir.
Depois disso tudo então fui chamado pra pegar meu certificado e mais uma vez fui lá pra frente para pegar meu diploma andando. Podia ter sido ato normal,mas pra mim foi MUITO significativo eu ter ido lá e buscado. Eu mesmo e andando.

Após isso entao a professora Marta Feghali se pronunciou para presentear os dois únicos formandos da cerimônia, já que todas as outras eram formandAs...

No final da cerimônia ainda deu pra tirar uma "foto de família" junto da minha sobrinha e a grande motivadora e responsável por tudo isso, minha mãe:

Com a missão de pegar o diploma andando cumprida, a missão agora era concluir o caminho de volta, o que também não foi fácil. Descer 1 andar de escada foi tão tenso que duas gotas de suor escorreram da minha face nesse caminho mínimo.
Chegando à rua então até rolou convite de ir prum bar com as outras formandas, mas o que eu mais pensava naquela hora era de me livrar da armadura-paletó que eu tava usando, e isso só indo pra casa mesmo. Infelizmente.
Pra minha noite não acabar em branco, acabei parando na Parmê aqui em frente ao predio e comendo um "pizza comemorativa" com minha sobrinha, Emanuelle.
E foi esse meu dia especial. Agora a missão em questão, e que ainda não se concretizou, é a de arrumar um emprego na area de Estilo/ Criação de Moda. Passadas algumas semanas desde o evento narrado, posso dizer que pelo menos aqui no Rio de Janeiro, está bem difícil de achar algo,mas se levarmos em conta que anos atrás eu considerava que concluir uma Graduação antes dos 30 fosse um sonho distante e hoje estou justamente narrando isso...
=)

PS: mais fotos do evento nesse link aqui
Postado por
Antonio Bordallo
às 12:37 PM
0 já escreveram
Sexta-feira, Julho 31, 2009
Eu quero ganhar a rua!
Começando hoje mais uma sessão de passeio pela minha casa, minha mãe me perguntou porque eu não usava o andador, e eu lhe respondi bem taxativo que isso significaria dar 3 passos atrás no meu caminho evolutivo, já que a escala ascendente da minha reabilitação é : "Cadeira de rodas >> Andador >> 2 muletas e prótese >> 1 muleta e prótese e somente prótese". Tá bem que ainda ando bem inseguro no topo desse estágio evolutivo, mas já que eu tô justamente numa fase onde a graça é testar, experimentar funções novas, não descartei "brincar" com o andador.
Sem dúvida andar com o tal auxílio, no estado que me encontro, me deu uma segurança ímpar, tanto que pude até andar levemente rápido e relaxar um tanto na parte do equilíbrio, que de fato é o que mais anda me estressando quando ando. Porém, andar somente em casa com o andador me pareceu fácil demais, com esse brinquedinho me deu vontade era de pegar o elevador e ganhar a rua! Tá bem que sou ousado mas não sou maluco, e esse andar na rua seria somente dar simples voltas no quarteirão, sem atravessar a rua, cauteloso tal como uma mãe permitindo seu filho andar na rua sozinho...
Ainda não cometi tal híbrido de insanidade e liberdade porque eu quero antes de tudo a cumplicadade de algum profissional da àrea, seja a fisiatra do HTO ou alguma fisioterapeuta da ABBR. Só por causa disso que não vou dar voltas no quarteirão, perambulando tal qual aquelas velhinhas bem frágeis que usam o mesmo artifício, e evitando no caso ceder às tentações de parar e sentar num dos 3 botecos que encontro só desse lado da quadra...
;-)
Postado por
Antonio Bordallo
às 7:14 PM
3 já escreveram
Quinta-feira, Julho 30, 2009
Tirando uma marola
Já que ontem nem tive tempo de andar com a prótese, me prometi que hoje vai ser rodada dupla. Acoplei a prótese e - SEM AS MULETAS - dei meu passeio aqui pela casa. Ainda recorro às paredes que permeiam meu caminho, que são um ótimo back-up, a bem da verdade, e assim segui meu caminho, dessa vez dando uma esticada até o quarto de empregada, onde minha mãe montou seu atelier, com maquina de costura e tal. Foi uma otima supresa pra ela a minha visita,hehe...Ainda mais quando informei à ela quel ao ver minha nota do trabalho final da faculdade, descobri que tirei um DEZ!Na saida então, resolvi ousar um pouquinho mais. Ja q tava com sede, decidi pegar uma garrafa d'água e conduzi-la até meu quarto. Mal ou bem era um puta desafio pra mim, já que assim eu já fico coprometendo uma das mãos na hora de me equilibrar... mas até que cheguei no meu quarto sem problemas. Tá, posso não ter tirado uma onda, mas pelo menos uma marolinha eu sei que tirei.
Tomei gosto pela coisa, e lá foi eu mais uma vez inventar moda. Dessa vez então, peguei a máquina fotográfica e fui pra sala tirar algum egoshot, testemunhando o dia. No inicio até que fui bem, mas ao me encostar perto do sofá , perdi o equilibrio e simplesmente CAI PRA TRAS! A grande sorte e graça disso tudo foi que atrás era justamente o sofá e então foi meio como se eu tivesse me jogando pra trás nele, de pernas pro ar... Ninguém testemunhou, mas posso dizer que foi engraçado,hehe....
Tirei lá alguma fotinho e então lembrei que queria ligar pra uma amiga e o telefone tava lá no quarto de empregada. Lá foi eu de novo lá, pegar o telefone e agora com mais medo de deixar cair, pois a queda poderia representar um bom dum prejuizo. Mas deu tudo certo, apesar de outra desequilibrada perto do sofá que me apoiei nele antes de ficar de joelhos, e agora e eu tô aqui , no "Show do intervalo", pois daqui a pouco, volto pra segunda rodada de passeio aqui em casa.
É, até que eu tô curtindo sim....
=)
PS: a tal foto tirada:
Postado por
Antonio Bordallo
às 4:40 PM
0 já escreveram
Terça-feira, Julho 28, 2009
mais um passo, agora na versão 2.0
Os que me conhecem bem sabem que não curto muito rotina, e quando alguma tarefa já começa a se tornar maçante eu já trato de dar um jeito de dar uma variada em algo, ver se posso fazer algo diferente, ousar um pouco , com sempre gosto de fazer.
Bem, já passadas quase 2 semanas que passei a dar esses passos em casa com a prótese, tenho mais um novidade. Hoje quando coloquei a protese, ia logo recorrer à muleta, quando pensei:"porque não tentar SEM muleta?". Pois bem, tentei... e CON-SE-GUI!
Tá, ainda não é uma maravilha, mas posso dizer que dei duas voltas aqui no meu "circuito de casa" e não cai! Cruzei a sala, passei no banheiro, escovei os dentes sem me apoiar em nada...e até fiz um "pit stop" no sofá aqui da sala, quando fiquei alguns minutos conversando e vendo TV com a minha mãe. De fato eu quase caí umas 3 ou 4 vezes, me encostei na parede algumas muitas vezes quando necessário também.... andar assim "livre" ainda dá uma certa insegurança, mas não fui ao chão. Andar ainda cansa um pouquinho, ainda mais no quadril que fica bem curvado pra trás, mas consegui ficar parado algumas vezes, e até tirar foto em pé com minha mãe...
[foto tirada agora há pouco, comigo em pé e tirando a foto sem me apoiar em nada!]
O interessante de tudo isso foi o meu raciocínio pra ousar isso. Eu simplesmente tava com saudade de como se anda normalmente. Eu pensei: se uma pessoa com duas pernas não precisa dar impulso com uma muleta a cada passo que dá, porque eu - que não tô com a perna forte ainda, mas ela já tem os reflexos um pouquinho melhor - não tento isso?". Fiquei pensando, "como que as pessoas fazem pra andar mesmo? " Simplesmente tnão me lembrava, e fiquei com saudade de praticar!
Minha marcha ainda tá aquela coisa tipo um Capitão Gancho robotizado e inseguro, mas to tendo meus avanços sim. Engraçado também que agora eu estou entendendo mais ou menos como se sentem aqueles idosos que andam na rua inseguros, com certo medo de cair... o ponto de equilíbro se torna BASTANTE instável...
Bem, se tem uma coisa que eu fico bastante grato por Deus ter preservado comigo depois de terem tirado tanta coisa de mim, foi a capacidade de OUSAR. Que surjam mais oportunidades assim!
Postado por
Antonio Bordallo
às 6:42 PM
1 já escreveram
UPDATE DO POST ANTERIOR
Acabou que no dia seguinte minha mãe pegou minha cadeira, subiu a r.Siqueira Campos e acabou encontrando algéum que fizesse a solda da estrutura. Deixou lá com ele cedinho e lá prumas 5 da tarde apareceu o moço aqui com a cadeira soldada e reforçada no local. A mera solda me custaram doloridos 80 Reais em cash, mas podia ser pior, né?
Agora é rezar pra que esse remendo não se rompa numa situação completamente desfavoravel...
Postado por
Antonio Bordallo
às 6:39 PM
0 já escreveram
Quarta-feira, Julho 22, 2009
Sabotagem que estimula, mas dá um prejuízo...
Depois de uns quase 3 anos, minha cadeira de rodas dá sinais de que não aguenta mais o tranco. Uns vão dizer que é porque estou gordo, mas prefiro acreditar que, sem contar com os anos de uso, essa cadeira tambem não aguenta muito os lugares que vou e as façanhas que tenho que realizar pra chegar nesses lugares. Quase que mensalmente eu tenho que ir numa loja de cadeira de rodas pra substituir uma peça ou outra, só que só nos ultimos 20 dias passei 2 vezes na tal loja e gastei mais de 100 Reais nessa brincadeira.
O cúmulo do mico foi há uns 15 dias, quando após uma prosaica água de coco com uma amiga num quiosque daqui da praia eu voltei pra casa somente com 3 rodas, porque uma caiu na em plena rua, e uma dessas 3 rodas com o pneu furado... Vale ressaltar que no caminho pro quiosque a roda da frente caiu quando eu tava em pelno movimento e no asfalto... a queda foi inevitável e o mico nem se fala...
Pra não ver isso tudo de forma 100% negativa, a amiga que tava comigo na hora do mico me deu um toque bastante de sensato. Ela disse que de repente esses problemas acumulados estejam meio que servindo de sinais pra mim, indicando que já tá na hora mesmo de abandonar a cadeira como meio principal de locomoção e começar a adotar o uso da prótese mesmo. Essa realidade me veio pesada como um tapa, mas reconheço que foi um estímulo que veio na hora certa. Cá estou eu escrevendo essas linhas novamente com a protese acoplada depois de um passeio basico pela casa. Pode ser ainda pouco, mas sinto que pelo menos agora estou fazendo a minha parte e com mais boa vontade que antes.
A parte complicada dessa situação toda é que , além dos problemas já compartilhados com vocês, agorinha há noite, há menos de 2 horas, meus problemas com a cadeira de rodas se tornaram ainda mais graves, já que dessa vez o que se rompeu foi um dos tubos de aluminio que fazem parte do quadro, da estrutura da cadeira de rodas, e com isso, andar na rua toda irregular pode se tornar uma operação de altíssimo risco. A cadeira pode simplesmente se desmanchar no meio da rua...
Essa situação sim me deixou meio deprimido... tá bem que eu tô precisando de estímulos pra abandonar a cadeira de rodas e andar por aí com protese, mas eu ainda não posso renegá-la por completo, pois eu preciso me locomover com ela,né? Esse mega-abacaxi que caiu na minha mão eu ainda nem sei como vou conseguir resolver. Espero que haja algum lugar que solde de forma rápida e barata aqui por Copacabana [que minha mãe que vai ter que achar, já que é muito arriscado eu andar por aí com a cadeira assim,né?], porque do contrário só vai me restar comprar uma cadeira de rodas nova, facada essa que vai me doer pelo menos uns 1.200 Reais. Pqp, eu acho que não mereço um castigo desses em pleno momento que tô tentando estabilizar maus gastos que já foram enormes pra concluir a faculdade....
=(
Postado por
Antonio Bordallo
às 6:19 PM
0 já escreveram
Sexta-feira, Julho 17, 2009
um tombo,dois desequllibrios e muita descoberta
Já que ontem não tive nem tempo de andar com a prótese, devido à tanta correria aqui pra resolver pendências que estavam há meses na p fila de espera, resolvi hoje fazr uma jornada dupla, e assim então dei três passeios pela casa, agora um pouquinho mais habituado a essa rotina q eu tenho que adotar na minha vida.
Quando saí do banheiro, onde escovei os deintes mais uma vez sem nem segurar na muleta, passei pelo corredor e quase chegando na sala....CATAPUM!
Perco o equilíbrio e caio todo sem jeito pra frente. Não me feri não,mas o susto foi grande (ainda maior o da minha mãe) e pra me levantar, tive q me escorar na estante da TV. É um tanto duro pensar que, uma coisa assim tão desgradável como tomar tombos eu precisarei me acostumar porque, mesmo quando já estiver bem craque com a prótese, essas coisas acontecem quando menos se espera...
Continuei minha jornada e então entrei na cozinha. Foi pra lá de especial esse momento porque, assim como quando entrei no banheiro, este pareceu também a primeira vez que entrava lá. Consegui enxergar o microondas que eu tinha comprado há muito tempo mesmo, e há pelo menos 4 anos não o via na mesma altura, já que ele fica em cima da geladeira, e o coitadinho parou até de funcionar , já que minha mãe não curte e nem sabe operar o pobre...
Observei com detalhe as estantes onde minha mãe guarda os objetos de vidro, que eu enxergava tal qual uma criança, inclinando o mais pra trás possível a cabeça pr apoder enxergar o que tinha lá... foi como conhecer algo que sempr e esteve na minha frente, mas que via de um só ângulo, assim como um dia a Lua resolvesse girar 180 graus e mostrar o lado que ela sempre esconde da gente...
Uma vez na cozinha, porque não ir na pia? Chão de cozinha bate uma certa aflçição quando entro, porque já não bastasse a probabilidade de respingos no chão ao redor da pia, ainda inventaram de revesti-lo de azulejo,pqp... Algo me diz que ainda vou tomar muito estabaco nesse setor da casa... Salvo essa premoniçao, arriquei ficar em frente a pia é "brincar " que estava lavando a louça. Para desempenhar tal função eu tinha q me livrar da muleta, e até que me virei legal, apesar de alguma insegurança. Ruim foi na hora de sair, onde tive que pedir pr aminha mãe vir da sala pr ame pegar a muleta que, caída no chão, eu sabia que se eu pegasse eu não conseguiria subir de volta...
De volta à sala, ecidi fazer algo que nunca tinha feito nessa casa: "brincar " de olhar pelo "olho mágico" e abrir a porta. Estranho, eu nunca fiz isso na miniha propria casa! Tive que antes abrir a porta e balançar a muleta lá fora pro detector de presença ligar a luz e então eu poder enxergar alguma coisa pelo furo na porta. Com as luzes acesas, corri pra dentro de casa, fechei a porta, e olhei, até com certa ansiedade, por aquele "olho mágico", que me mostrou o que eu smepre via, só que de um modo e um ângulo inédito. Nossa, o corredor visto desse buraquinho com lente convexa é difereeeente... Tá, pareceu idiota,mas fiquei olhando o corredor por aquele buraquinho por mais de um minuto, observando todos detalhes que, se eu quisesse , era só pegar a cadeira, me aproxima e mesmo tocar... mas não seria a mesma coisa.
Por fim paguei pra ver como que eu me viraria pra me sentar na cadeira que fica na sala. Até que pra sentar-me não foi assim tão complicado, mas prame levantar de novo... Na primeira tentativa, com a mesma força que eu tinha subido eu desci de medo por cuasa do desequilíbri que senti. Tive que parar pra estudar uma forma mais segura de me levantar sem perder o equilibrio, e assim então, deixei minha perna e muletas levemente inclinadas pra fora (meio que formando um "A"), e então me levantei com mais segurança.
Cruzei a sala de novo e ao chegar no meu quarto, tentei me sentar de novo,mas dessa vez na minha cadeira de rodas mesmo, o que tem um agravante bem grande que são as quadro rodas: se ao me sentar num banco éo atrito deste com o chão que me dá apoio, numa cadeira de rodas é justamente a existência deste que faz sentir aqueles rapazes de Santa Tereza que pegam o bonde já andando (coisa que até eu mesmo fazia quando mais novo...). A primeira tentativa e... OPS! Lá foi eu me desmontar todo, caindo pra frente e me agarrando à cadeira pra ir dierto ao chão. Depois dessa jornada, mesmo sendo uma noite fresca, acabei suado e bufante. Dar os primeiros passos com a prótese não é facil não.
Já que a perseverança é uma qualidade que eu tenho que preservar hoje em dia, tentei pô-la em prática nesse momento, pois enquanto escrevo esse post, a prótese continua acoplada aqui na minha perna, justamente pra eu, apesar dos eventuais incômodos, me acostumar com a presença dela, enxergando assim que esse "remédio amargo" é, pricipalmente, a chave pr a minha liberdade.
Postado por
Antonio Bordallo
às 8:01 PM
0 já escreveram
Quarta-feira, Julho 15, 2009
+ tempo, + objetivos, + realizações
Depois da entrega do meu trabalho final da conclusão de curso, apresentei na 3a feira agora, dia 14, o mesmo trabalho, só que juntamente com a peça-conceito confeccionada e para a banca avaliadora, os alunos e convidados. O resultado não podia ser melhor, já que foi super elogiado e na sexta-feira agora vou ver as notas que recebi... A apresentação dos slides, vocês que não foram, podem conferir abaixo:
Uma vez que a grande missão de concluir uma graduação antes dos 30 já foi cumprida, vieram à tona outras duas , igualmente redentoras para minha vida:
1) Ser economicamente produtivo (isto é, trabalhar e fazer meu pé-de-meia) e
2) VOLTAR A ANDAR
Já que a primera missão ainda não depende tanto de mim, já tô me mobilizando para cuidar da segunda.
Hoje, após um dia de tantas tarefas pendentes ao longo de vários meses por ter priorizado a faculdade ( psicólogo, dentista, etc...), estava eu naturalmente cansado e prostrado na minha cama pra recuperar as energias, quando uma amiga próxima me manda um torpedo pra saber se eu já tinha visto a "nossa amiga" hoje. Ela mesmo tinha convencionado de chamar minha prótese de "nossa amiga", já que se eu não vê-la como tal, nunca vou ter intimidade para tornar seu uso uma rotina (esperto isso, não?). Pois bem, apesar de cansado, lembrei que hoje mais cedo ja tinha pedido pra minha mãe reconstruir um saco de nylon que proporciona o encaixe da prótese e portanto precisava fazer por onde e testar a perna ainda hoje. Crei coragem e vesti.
O resultado não poderia ter sido mais interessante. Meu conforto e confiança com aquele corpo estranho foi tamanho que lancei mão de apenas uma muleta, que me ajudaria a ter apoio pra dar os passos, e fui seguindo...
Passei pela porta do meu quarto, ainda com passos incertos, tímidos, mas cheios de vontade. Apesar da insegurança, fui me aproximando silenciosamente da minha mãe, que estava na sala costurando, e só quando eu estava de frente pra ela, a menos de 1,5m que ela percebeu minha presença e se emocionou com a minha "audácia"...
=)
Pra mim foi um momento um tanto único: eu estava conhecendo a minha casa, depois de quase 3 anos morando nela...
A primeira coisa que conheci de fato foi o espelho da sala. Eu sempre fui uma pessoa muito narcisa, mas o costume remanescente de me olhar no espelho não me trouxe assim boas referências, já que somente agora, de pé, constatei que não tô assim tão em forma. Me senti um gordinho parrudo, quase um bujãozinho, se comparado com meus dias passados... Constatei que o tempo, a gravidade e gordura são implacáveis, e por isso, mais uma missãozinha apareceu na minha lista:
3)FICAR MAGRO!
Apesar de cruel, adorei a franqueza do espelho...
Já que estamos falando de medidas, lembrei-me dos belos dias que eu media 1,83m de altura. Eu já tinha consciência que esses dias já são passados, não só por eu estar levemente curvadinho por cuasa dos ajustes da prótese, mas também porque, pra própria tíbia ter consolidado as duas partes, foi preciso cortar alguns centimetros de cada ponta. E a consequencia de tudo isso foram sinceros 1,74m de altura.... 9 CMS DE PERDA!
Me senti diminuído, literalmente...
Apesar de esdrúxulo e doloroso, eu sei que eu posso recuperar esses gigantes 9cms de perna, por conta de meros 3 meses de parafusos laminados rasgando minha pele de novo... vale a pena?
Depois dessa sessão de choque de realidade, resolvi passear pela casa pra ver se tinha coisa mais otimista a me esperar. Chegar no banheiro não foi assim tão complicado, e olhar para o espelho e ver meu rosto pelo primeira vez chegou a causar estranhamento, a quem costuma só enxergar o reflexo de parte da testa pra cima... minha estabilidade foi tamanha que arrisquei escovar os dentes observando meus movimentos no espelho. Obtive muito sucesso,mas a sensação me pareceu tão estranha, que pareceu q eu estava escovando meus dentes em outro banheiro, desconhecido por mim até então...
Esses 20 e poucos minutinhos usando a minha amiga prótese rendeu algumas dores na lombar, por causa da posição, mas ao mesmo tempo pude sentir que o encaixe não está assim tão incômodo, tanto que até o presente momento, apesar de já sentado e em frente ao computador, escrevendo essas mal digitadas linhas, continuo usando a prótese e sem sentir nenhum incômodo grande, caraterístico do encaixe antigo.
Pra "ilustrar", um fotinho da visão que tenho quando olho pra baixo agora... meus três diferentes apoios:
Postado por
Antonio Bordallo
às 6:44 PM
1 já escreveram